Denúncias de corrupção sacodem cenário político no RS

Juíza
federal divulgou documento com detalhes da operação desencadeada contra
quadrilha especializada em fraudes no Detran. Políticos do PP, PSDB e
PMDB foram presos. Um dos coordenadores da campanha de Yeda Crusius é
apontado como lobista e envolvido com empresas laranjas.

PORTO
ALEGRE – A juíza Simone Barbizan Fortes, da 3ª Vara Federal e Juizado
Especial Criminal da Subseção Judiciária de Santa Maria, divulgou
documento à imprensa apresentando detalhes sobre a Operação Rodin,
desencadeada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para
desbaratar uma quadrilha especializada em fraudes no Departamento
Estadual de Trânsito do RS (Detran). A ação sacudiu o ambiente político
gaúcho, pois o esquema de fraudes envolve figuras importantes do
governo estadual, entre elas, um dos coordenadores da campanha de Yeda
Crusius (PSDB) na campanha eleitoral de 2006, Lair Ferst.

Segundo a nota, encontra-se em tramitação inquérito policial para apurar a ocorrência dos seguintes crimes:

Indevida
dispensa de licitação e locupletamento ilícito por conta dessa
dispensa; corrupção ativa e passiva; crimes contra a ordem tributária
(sonegação fiscal); advocacia administrativa; tráfico de influência,
organização criminosa, crime de formação de quadrilha.

O
inquérito, por conter informações bancárias e fiscais, além de
registros de interceptações telefônicas, tramita em segredo de justiça.
No curso das investigações, verificou-se o envolvimento de diversas
pessoas físicas e jurídicas, dentre elas as que foram presas e tiveram
bens apreendidos.

A Operação Rodin
Na Operação Rodin,
desencadeada pela Polícia Federal na madrugada de terça-feira, foram
presos, entre outros, o diretor-presidente do Departamento Estadual de
Trânsito do RS (Detran), Flavio Vaz Netto, o ex-diretor-presidente do
órgão e atual diretor financeiro do Trensurb, Carlos Ubiratan dos
Santos (ambos integrantes do Diretório Estadual do PP), o empresário
Lair Antonio Ferst (integrante do Diretório Estadual do PSDB e um dos
coordenadores da campanha de Yeda Crusius)
, e o ex-diretor-geral da
Assembléia Legislativa, Antonio Dorneu Maciel, integrante da executiva
estadual do PP
e atual diretor da Companhia Estadual de Energia
Elétrica (CEEE).

Dos presos terça-feira pela PF, quatro já
foram liberados: Patrícia Bado, mulher do ex-presidente do Detran,
Carlos Ubiratan, Flavio Vaz Netto, presidente do Detran (agora
afastado), Luciana Cordeiro, funcionária da Fundação de Apoio à
Tecnologia e Ciência (Fatec) e Rosana Ferst, que teria ligação com
empresas terceirizadas investigadas pela polícia.

A Operação
Rodin, explicou a juíza, “foi iniciada em maio de 2007, a partir de
procedimento criminal diverso em que se deferiu monitoramento
telefônico e posteriormente também telemático, de diversas pessoas
físicas e jurídicas supostamente integrantes de grupo criminoso com
atuação especialmente no RS, que se utilizaria das Fundações de apoio
vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Fundação de
Apoio, Ciência e Tecnologia (FATEC) e Fundação Educacional e Cultural
para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura
(FUNDAE) – para a prática de diversos crimes”.

A investigação
teve como foco principal averiguar a supostas irregularidades ocorridas
no âmbito das relações contratuais entabuladas entre as fundações e o
DetranRS, para fins de prestação de serviços relacionados aos exames
práticos e teóricos de direção veicular no RS.

Segundo a juíza,
as condutas ilícitas giram em torno de uma fraude central: a
contratação, por órgãos públicos, mediante dispensa de licitação, das
Fundações de Apoio vinculadas à UFSM, para a realização de atividades
diversas. Essa realização, porém, “é incumbida a terceiros, aos quais
se repassa praticamente toda a remuneração percebida, em contrapartida
por serviços pífios, (a indicar superfaturamento), repasse este que
beneficia financeiramente, de forma direta ou indireta, os próprios
responsáveis pela contratação (titulares ou responsáveis pelos órgãos
públicos) e subcontratação (integrantes das fundações) e, ainda
lobistas que conseguem obter o contrato”.

Na investigação
relevou-se que, possivelmente o esquema foi posto em operação pelas
mesmas pessoas físicas e jurídicas em relação a outros contratos
públicos, por exemplo no projeto “Pró-Jovem”, desenvolvido junto a
Municípios.

Empresas laranjas
A nota divulgada pela
Justiça Federal de Santa Maria também traz informações sobre o
envolvimento de Lair Ferst (um dos coordenadores da campanha eleitoral
de Yeda Crusius) no caso. Segundo o documento, até 2003, o Detran/RS
realizava seus exames por intermédio da Fundação Getúlio Vargas (FGV),
contratada para prestar serviços de exames práticos e teóricos de
direção veicular. “Todavia”, prossegue a nota, “mesmo na iminência do
término do contrato, e tendo sido instado pela própria FGV a indicar
quando se daria o novo certame, deixou de efetivar o devido
procedimento licitatório”. Às vésperas do término do contrato, o
Detran/RS, que na época tinha como Presidente Carlos Ubiratan dos
Santos, e como diretor administrativo-ficanceiro Hermínio Gomes Junior,
contrata emergencialmente, com dispensa de licitação, a FATEC.

Naquele
ano, Paulo Jorge Sarkis era o Reitor da UFSM, possuindo papel relevante
no âmbito da FATEC. Segundo as investigações, ele teria se valido das
forças políticas a que tinha acesso, especialmente os lobistas da
família Fernandes (chefiada por José Antônio Fernandes) e de Lair Ferst
para a obtenção do contrato do Detran. Ferst tinha grande poder junto
ao Detran, possuindo um vínculo especial com seu presidente, Carlos
Ubiratan dos Santos. A empresa Newmark Tecnologia, Informática,
Logística e Marketing, cujos sócios são parentes de Ferst, é sócia da
empresa NT Pereira administrada por Patrícia Jonara dos Santos (esposa
de Carlos Ubiratan dos Santos). Ao que tudo indica, diz a nota, “o
verdadeiro dono da Newmark é o próprio Lair Ferst; figurando seus
parentes como laranjas, situação similar a da empresa NT Pereira, que
de fato seria de Carlos Ubiratan dos Santos, sendo titularizada por um
laranja”.

Os sócios da empresa New Mark, pertence a parentes de
Lair Ferst, tem outra empresa da família, a Newmark Serviços da
Informação e Inteligência. Esta, por sua vez, é sócia da empresa NT
Pereira, administrada pela esposa de Carlos Ubiratan dos Santos – “ao
que tudo indica, como mais adiante se verá, seus verdadeiros donos”,
avaliou a investigação. A NT Pereira, em 2006, concedeu um empréstimo,
sem garantias, a Carlos Ubiratan dos Santos, no valor de R$ 500.000,00,
“ao que tudo indica pagamento de propina com valores obtidos no
contrato Detran, que teriam circulado por intermédio de uma das
empresas sistemistas, a New Mark Tecnologia da Informação e Marketing,
seguindo por empresa-irmã, a New Mark Serviços, ambas da família do
lobista Lair Ferst, chegando finalmente às mãos do servidor público”.

“Conheço a ficha do Lair”
Membro
titular do diretório estadual do PSDB, Lair Ferst foi um dos
coordenadores financeiros da campanha de Yeda Crusius ao governo do
Estado, nas eleições de 2006.
Na manhã desta quinta-feira, o
ex-vice-governador Antonio Hohlfeldt, que até o ano passado era filiado
ao PSDB e hoje está no PMDB, declarou ao jornalista Diego Casagrande:
“Conheço a ficha do Lair. Quando eu estava no Palacinho ele era
proibido de entrar. Jamais o recebi”.

Hohlfeldt não explicou por
que Lair era proibido de entrar no Palacinho (escritório do
vice-governador). Até agora, nem a governadora nem o PSDB se
pronunciaram sobre a prisão de uma das lideranças do partido no Estado.
Considerando as informações preliminares disponibilizadas pela Justiça
Federal, a governadora já está sendo cobrada a explicar o que é mesmo
que Lair Ferst fazia na sua campanha eleitoral, no ano passado.

http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14705&boletim_id=377&componente_id=7033

www.leonardodamasceno.com

Corrupção, PSDB, Tucanos, Democratas

Powered by ScribeFire.

Anúncios

About this entry