Estudante de escola pública tem melhor desempenho nas federais

Resultado do Enade aponta dianteira em 53,75% dos cursos sobre aluno que estudou em colégio particular

Renata Cafardo

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Alunos de universidades federais que vieram de escolas públicas se saem
melhor que seus colegas egressos do ensino médio particular na maioria
das áreas avaliadas pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes
(Enade). Esse resultado aparece em 53,75% dos cursos na avaliação que
substituiu o antigo Provão, segundo o Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação (Inep/MEC). Entre
eles, estão Jornalismo, Engenharia Civil, Química e Arquitetura.  

link Mais números do levantamento

Na maioria das áreas, a diferença entre a nota de alunos de
escolas públicas e particulares é de dois pontos (ver tabela). No curso
de Engenharia de Produção Elétrica, no entanto, são mais de 18 pontos
entre o desempenho de um grupo e outro. O mesmo não acontece em áreas
mais tradicionais, como Medicina, Direito e Administração, em que os
estudantes das federais vindos de escola particular se saem melhor.

As
notas no Enade vão de 0 a 100. A prova é feita tanto por estudantes no
início dos cursos quanto pelos formandos. “Os melhores alunos das
escolas públicas procuram as universidades de melhor reputação”, diz o
diretor de avaliação do Inep, Dilvo Ristoff, sobre o melhor desempenho
do grupo em universidades federais. Segundo ele, essa prevalência não
ocorre se forem consideradas todas as instituições – privadas e
públicas – participantes do Enade.

A estudante de Relações
Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Jéssica
Garcia, que veio do ensino médio público, também acredita nisso. “Quem
não é bom aluno nem tenta o vestibular de uma universidade federal
porque acha que não vai passar.” Além disso, ela diz que aluno de
escola pública está “habituado” a se esforçar muito para conseguir
estudar. Assim, segundo Jéssica, quando consegue lugar em uma boa
instituição acaba se destacando.

Números do MEC mostram que
87% dos 9 milhões de alunos do ensino médio no País estão em escolas
públicas. No superior, os índices mudam e eles representam 45% dos
estudantes. A maioria está em cursos de formação de professores,
Letras, Matemática e Secretariado Executivo. Em Medicina, por exemplo,
apenas 8,2% dos alunos não vieram de escolas particulares.

Fábio
Vieira Pinto estudou na rede pública no ensino fundamental e médio e
teve uma das melhores notas do Enade. Ele se formou no ano passado em
História na Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) e acertou
cerca de 90% da prova do MEC. “Só foi um reflexo da minha dedicação”,
afirma.

“As pessoas estão acostumadas a sempre pensar em escola
pública como ruim e escola privada como boa, mas nem sempre é assim”,
diz a educadora da Universidade de Brasília, Regina Vinhais. Os
colégios federais, por exemplo, são considerados os melhores do País e
podem ter formado boa parte dos estudantes que se saíram bem no Enade.
O MEC pretende, a partir deste ano, começar a perguntar no questionário
socioeconômico preenchido pelos participantes que tipo de escola
pública eles freqüentaram.

SENTIMENTO CÍVICO

Para
o pró-reitor de graduação da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp), Luiz Eugênio Mello, o aluno de escola pública demonstra
também um sentimento cívico maior que o da particular. Isso, segundo
ele, faria com que eles dessem importância e se dedicassem a um exame
como o Enade, que não garante nenhum ganho pessoal.

Muitos
estudantes costumam boicotar a prova e entregá-la em branco porque o
desempenho não assegura a formatura – ela apenas ajuda a compor a nota
do curso na universidade que eles freqüentaram. “Alguns estudos de
ações afirmativas também já têm mostrado que o aluno de escola pública
é mais esforçado”, completa.

Ele se refere aos resultados da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, que mediu o
desempenho acadêmico de alunos carentes e estudantes de escolas
públicas ao ingressarem na instituição. O resultado foi que eles acabam
se saindo melhor nas aulas e provas que os colegas vindos de escolas
particulares. O estudo ajudou a fortalecer a iniciativa atual da
Unicamp de dar pontos a mais no vestibular para facilitar o ingresso
desse grupo na instituição.

Pesquisas sobre os beneficiados do
Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas pagas
pelo MEC para alunos pobres em faculdades privadas, também revelam
resultados semelhantes.

Os números gerais do Enade –
referentes a universidades privadas, federais, estaduais e municipais –
mostram que os estudantes que vieram de escolas públicas se saem melhor
do que os de particulares apenas em 15 das 80 áreas avaliadas. Uma
delas, no entanto, é o curso de Medicina. Os resultados levaram em
conta o desempenho dos alunos nos exames de 2004, 2005 e 2006.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20070918/not_imp53561,0.php

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