Como os pesticidas estão salvando a terra por Patrick Moore
De volta aos tempos do primeiro “Dia da Terra” em 1970, eu era um aluno graduado pela Unidade Britânica de Columbia, preparando-me para a jornada oceânica contra os testes americanos da bomba de hidrogênio que resultaria na criação do Greenpeace. No decorrer dos 15 anos seguintes, eu lideraria muitas campanhas do Greenpeace, que finalmente teve seu reconhecimento em 1986.
Muito mudou desde aqueles dias, especialmente um significativo incremento da tecnologia na agricultura. Assim, não há constrangimento em pensar no “Dia da Terra” e sobre as maneiras nas quais a ciência e a tecnologia desenvolveram nossa habilidade para as diferentes culturas e para trazer alimentos às nossas mesas.
Sobretudo, a continuada pesquisa e desenvolvimento da ciência genética, os fertilizantes e os pesticidas nos possibilitaram aumentar significativamente tanto a quantidade quanto a qualidade dos alimentos produzidos sem que houvesse aumento de área plantada. O resultado é a manutenção das reservas florestais e a proteção da biodiversidade no planeta.
Pesticidas são ponto-chave na agricultura moderna, contribuindo para o enorme crescimento das culturas nas décadas recentes. Por intermédio da utilização de pesticidas, os produtores estão aptos a aumentar a produtividade em áreas restritas, estender as épocas características de determinados alimentos, manter a qualidade do produto.
De fato, foi a tecnologia dos pesticidas que permitiu à América do Norte triplicar a produção de alimentos mantendo a mesma área de florestas e reservas ambientais que existia no século passado.
Mas, grupos ativistas com perfil “anti-pesticida” prosseguem disseminando informações distorcidas com o objetivo de confundir a opinião pública. Desde a campanha do Grupo de Trabalho do Meio Ambiente, em 1989, contra o regulador de crescimento Alar (campanha que quase destruiu a indústria macieira norte americana) e continua até hoje, com o Sierra Club e David Suzuki, a campanha para condenar o uso contínuo de pesticidas.
Ironicamente, o resultado é que as pessoas que levam em conta a mensagem dos “anti-pesticidas” tendem a evitar os riscos de câncer em si mesmas e em suas famílias evitando o consumo de frutas frescas e vegetais.
Bruce Arnes, Professor da Universidade da Califórnia, Bekerley, tem tentado ao longo dos anos, mostrar ao mundo que o residual dos pesticidas nos alimentos não tem caráter significativo para a saúde. Membro da Academia Nacional das Ciências e agraciado com a Medalha Nacional da Ciência, o Professor Arnes defende em suas pesquisas sobre o câncer, especialmente em relação à toxicidade de produtos químicos, que as substâncias naturais produzidas pelas próprias plantas para se protegerem dos insetos e fungos são tão tóxicas quanto os pesticidas sintéticos aplicados na produção agrícola.
Foi organizado um painel internacional com especialistas em câncer pelo Instituto Nacional do Câncer, no Canadá, o qual chegou à mesma conclusão. Ao examinar mais de 70 estudos publicados concluiu-se que ao contrário das alegações de alguns ativistas, “não há evidências definitivas que comprovem que os pesticidas sintéticos contribuam significativamente para a mortalidade por câncer”.
Dr. Arnes demonstrou que 99,99% dos pesticidas que ingerimos são produtos químicos naturais – conceito que nenhum ativista “anti-pesticida” jamais expressou em público. Assim, aqueles que optaram por retornar aos alimentos orgânicos não estão evitando a ingestão de pesticidas, porque a maior parte desses pesticidas são naturais – e a exemplo de seus “parentes” sintéticos podem também causar riscos à saúde humana.
Eliminar os pesticidas sintéticos significa desistir dos altos avanços que tivemos na agricultura. Significa voltar à agricultura artesanal e reduzir a biodiversidade a tremendos custos ao meio ambiente sem reais benefícios.
Ainda pior, eliminar os pesticidas pode elevar o custo das frutas e vegetais, consequentemente, reduzindo o consumo e aumentando o risco de doenças e pragas. Uma recente análise de pesquisa sobre os benefícios da proteção de cultivos, tecnologia da produção de alimentos canadenses, nutrição, economia e meio-ambiente (Safe Food Consulting-2005) descobriu que sem o uso de pesticidas os campos de cultivos teriam queda de produtividade de 30% a 50%, com aumento de insetos e pragas. Além disso, os preços dos alimentos sofreriam elevação da ordem de 27%.
A ciência e a tecnologia da agricultura mudaram nosso mundo para melhor. Hoje os pesticidas têm importante papel. Vamos, portanto celebrar o “Dia da Terra” e nos comprometermos com um futuro sustentável. Vamos também confrontar a falta de informação dos ativistas e suas táticas para reiterar o quanto progredimos na ciência da agricultura.
National Post
Dr. Patrick Moore é fundador do Greenpeace e cientista chefe do Greenspirit Strategies Ltd, em Vancouver, Canadá
http://www.swisscam.com.br/files_camara/Editorial.pdf
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- Published:
- Novembro 6, 2007 / 12:02 pm
- Category:
- Meio Ambiente
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